Mora de aluguel e o dono deve IPTU? Imóvel pode ser penhorado, e Súmula 614 limita ação do inquilino
Neste artigo
O caso que levanta a dúvidaQuem deve o quêO limite para o inquilinoA proteção do bem de família tem exceçãoO que o inquilino pode fazerPerguntas frequentesFontesO caso que levanta a dúvida
Segundo o Metrópoles, a ordem de penhora da mansão no Recreio dos Bandeirantes, no Rio, foi assinada em 27 de outubro, por dívidas de IPTU de 2021 a 2023 que somam cerca de R$ 676 mil.
Em 4 de novembro, o ator, a esposa e a Procuradoria do Município pediram suspensão do processo por 30 dias, citando negociação em fase avançada. Até a publicação da coluna, o pedido não tinha decisão confirmada. A assessoria dele disse que a dívida seria quitada integralmente.
A coluna não menciona inquilino nem locação. Mas o caso levanta uma pergunta prática para quem mora de aluguel: e se o dono da casa for quem está devendo?
Quem deve o quê
Duas relações diferentes convivem aqui.
A primeira é entre dono e inquilino. Pelo art. 22, VIII, da Lei 8.245/1991, impostos e taxas ficam com o locador, salvo cláusula expressa em contrário. Se o contrato transferir o IPTU, o art. 25 permite cobrar o valor junto com o aluguel.
A segunda é entre o contribuinte e a prefeitura. O art. 123 do Código Tributário Nacional diz que acordos particulares sobre o pagamento de tributos não podem ser usados contra a Fazenda para mudar o sujeito passivo definido em lei. Ou seja: a cláusula vale entre vocês, mas não reescreve a relação com o município.
O limite para o inquilino
A Súmula 614 do STJ é direta: o locatário não tem legitimidade ativa para discutir a relação tributária do IPTU e das taxas do imóvel alugado, nem para pedir a devolução desses valores.
Na prática, se o carnê parece errado, quem pode contestar na Justiça é o dono. Com o inquilino fica a conversa sobre o contrato: o que foi combinado, o que foi cobrado e o que foi pago.
A proteção do bem de família tem exceção
Vale olhar também o lado do proprietário. A Súmula 486 do STJ protege o único imóvel residencial alugado a terceiros, desde que a renda sirva à subsistência ou à moradia da família.
Essa proteção, porém, não resolve o IPTU do próprio imóvel. Segundo resumo do TJDFT, o art. 3º da Lei 8.009/1990 traz exceções à impenhorabilidade, entre elas os tributos devidos em função do imóvel.
O que o inquilino pode fazer
- Leia a cláusula do IPTU. Veja se o imposto é seu, se é pago direto ou se vem no boleto do aluguel.
- Peça comprovantes. O art. 22, IX, garante a exibição dos comprovantes das parcelas exigidas. O inciso VI garante recibo discriminado.
- Guarde tudo. Boleto, Pix e recibo mostram que você cumpriu a sua parte, caso surja discussão com o dono.
- Recebeu intimação ou aviso de leilão? Procure a Defensoria Pública ou um advogado sem deixar o prazo correr.
E se o processo chegar ao leilão? O guia sobre imóvel alugado em leilão detalha os cenários e os pontos ainda em aberto, e o texto sobre quem paga condomínio e IPTU explica a divisão das despesas.
Perguntas frequentes
O imóvel em que moro de aluguel pode ser penhorado por dívida com a prefeitura?
O IPTU é ligado ao próprio imóvel, e a lei da impenhorabilidade abre exceção para esse tipo de dívida. A locação não aparece como obstáculo nas regras citadas aqui, mas cada processo tem andamento próprio.
Pago o IPTU junto com o aluguel. Isso me torna devedor da prefeitura?
A cláusula organiza a relação com o dono. O art. 123 do Código Tributário Nacional diz que acordos particulares não mudam, perante a Fazenda, quem é o sujeito passivo definido em lei.
Posso entrar na Justiça para contestar o valor do IPTU?
Pela Súmula 614 do STJ, o locatário não tem legitimidade para discutir a relação tributária do IPTU e das taxas do imóvel alugado, nem para pedir devolução desses tributos.
Posso pedir ao dono o comprovante de que o IPTU foi pago?
Se o valor é cobrado de você, sim. O art. 22, IX, da Lei 8.245/1991 manda o locador exibir, quando solicitado, os comprovantes das parcelas exigidas.
A penhora obriga o inquilino a sair?
A penhora, por si só, não aparece na lei como fim da locação. O risco cresce se houver leilão, com prazos e pontos em aberto que dependem do contrato e da averbação.
Fontes
- Metrópoles - Renato Aragão e esposa pedem suspensão de ação por dívida de IPTU
- STJ, Arquivo Cidadão - Súmula 614
- STJ, Arquivo Cidadão - Súmula 486
- Câmara dos Deputados - Código Tributário Nacional, Lei 5.172/1966, norma atualizada
- Câmara dos Deputados - Lei 8.245/1991, norma atualizada
- TJDFT - Bem de família, Direito Fácil
Atualizado em 7 de novembro de 2026. Conteúdo informativo, sem consultoria individual e sem oferta de serviços.
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