Prédio de 4 andares desaba no Brás: quando o imóvel cai, o que a lei prevê para dono e inquilino
Neste artigo
O que se sabe até agoraQuem responde quando um prédio cai?E o contrato de aluguel?O que o lojista ou o morador deve guardarPerguntas frequentesFontesO que se sabe até agora
Um prédio de quatro andares desabou no fim da tarde de 6 de novembro de 2026 na Rua Maria Joaquina, no Brás, região central de São Paulo. A Polícia Militar situa o desabamento às 18h38, segundo o Metrópoles.
As informações ainda são preliminares. A Folha de Pernambuco, com texto da Estadão Conteúdo, relatou que 17 pessoas deixaram o local e receberam atendimento, com ferimentos leves segundo a PM, sem registro de mortes até a atualização consultada. Os Bombeiros enviaram 48 homens e 16 viaturas, e o resgate seguia em andamento. O DCI diz que cerca de 20 pessoas poderiam estar no imóvel e cita chamado inicial de 25 possíveis vítimas, número não confirmado. Esses dados podem mudar nas próximas horas.
Sobre o uso do imóvel, as fontes divergem. O Metrópoles descreve uma loja de roupas no térreo e diz que rolos de tecido eram descarregados de um caminhão e guardados nos andares de cima. O DCI diz que o prédio funcionava como fábrica de tecidos. Nenhuma das reportagens abertas informa se o imóvel era alugado, quem é o dono ou o que causou o desabamento. Por isso, o que segue é a regra geral, não uma conclusão sobre este caso.
Quem responde quando um prédio cai?
A pergunta central é a causa. O art. 937 do Código Civil diz que o dono do edifício responde pelos danos da ruína quando ela vem de falta de reparos cuja necessidade fosse manifesta. Sem perícia, ninguém sabe se é o caso.
Do lado da locação, há duas obrigações que costumam entrar na discussão:
- Dono: responde pelos vícios ou defeitos anteriores à locação, pelo art. 22, inciso IV, da Lei 8.245/1991.
- Inquilino: não pode modificar a forma interna ou externa do imóvel sem consentimento prévio e por escrito do dono, pelo art. 23, inciso VI.
Em outras palavras, se uma obra sem autorização tiver contribuído para o dano, a discussão muda. Isso vale em tese para qualquer imóvel e depende de prova.
E o contrato de aluguel?
Se o imóvel se deteriorou sem culpa do inquilino, o art. 567 do Código Civil permite pedir redução proporcional do aluguel. Se o imóvel não serve mais para o fim combinado, ele pode resolver o contrato.
Há outro caso. O art. 9º, inciso IV, da Lei do Inquilinato permite desfazer a locação para reparações urgentes determinadas pelo poder público, quando não dá para executá-las com o inquilino no imóvel ou quando, sendo possível, ele se recusa a consenti-las.
Para reparos que ainda são possíveis, valem os prazos de 10 e 30 dias do art. 26, explicados nesta nota sobre casas danificadas pelo temporal.
O que o lojista ou o morador deve guardar
- Fotos e vídeos do imóvel e do estoque, antes de qualquer remoção autorizada.
- Boletim de ocorrência e registros da Defesa Civil ou da prefeitura.
- Contrato de locação, avisos anteriores sobre rachaduras e respostas do dono.
- Notas fiscais e inventário de mercadorias e móveis perdidos.
- Apólices de seguro do imóvel ou do negócio.
Avisos antigos sobre defeitos ajudam a mostrar se o problema era conhecido. Eles não decidem a causa, que depende da apuração oficial.
Perguntas frequentes
O inquilino continua pagando aluguel se o imóvel desabou?
Se o imóvel deixou de servir, sem culpa do inquilino, o art. 567 do Código Civil permite resolver o contrato. Formalize o pedido por escrito e guarde laudos e registros oficiais.
Quem paga os danos de um prédio que cai?
O art. 937 do Código Civil faz o dono responder quando a ruína vem de falta de reparos cuja necessidade era manifesta. A resposta depende da causa apurada por perícia.
E se o inquilino tiver feito obra no imóvel?
A resposta depende da causa apurada. A lei exige consentimento prévio e por escrito do dono para modificar a forma do imóvel, e o art. 567 do Código Civil só protege o inquilino quando a deterioração ocorre sem culpa dele.
O poder público mandou fazer reparo urgente no imóvel. O dono pode encerrar a locação?
A Lei do Inquilinato permite desfazer a locação para reparações urgentes determinadas pelo poder público, quando não dá para fazê-las com o inquilino no imóvel ou quando ele se recusa a consenti-las.
A quem procurar depois do desabamento?
Defesa Civil e assistência social do município para abrigo e registro. Para discutir indenização, a Defensoria Pública ou um advogado de confiança podem orientar.
Fontes
- Metrópoles - Veja antes e depois de prédio que desabou no Brás, em São Paulo
- Folha de Pernambuco - Prédio de quatro andares desaba no Brás, região central de São Paulo
- DCI - Prédio desaba na Rua Maria Joaquina; acidente no Brás tem vítimas
- Câmara dos Deputados - Código Civil (Lei 10.406/2002), texto atualizado
- Câmara dos Deputados - Lei 8.245/1991 (Lei do Inquilinato), texto atualizado
Atualizado em 6 de novembro de 2026. Conteúdo informativo, sem consultoria individual e sem oferta de serviços.
Continue lendo
Vizinho violento no prédio: multa pode chegar a 10 vezes a taxa, e inquilino também responde
Após prisão na Tijuca, veja o que o Código Civil prevê contra morador agressivo, dono ou inquilino: multa de 10 taxas, despejo e a disputa sobre expulsão.
Aluguel e CBS de 11,3 por cento em 2027: dono com até 3 imóveis, em regra, fica fora
Dono de imóvel alugado e inquilino: a CBS de 2027 terá alíquota de referência de 11,3 por cento, calculada pelo TCU. Veja quem paga no aluguel e se o valor pode subir.
Inquilino em recuperação judicial: aluguel novo segue exigível; INLG11 tem dois casos em Guarulhos
Dono de imóvel comercial: duas locatárias do fundo INLG11 em recuperação somam 11,2 por cento da receita. Veja o que o STJ diz sobre aluguel novo e despejo.